O medo da tela em branco, por um segundo, eu olhei para um documento de texto vazio, senti um frio na espinha e pensei: O que eu ia escrever? Por que eu abri esse documento? O coração acelerou e lembrei que tinha feito algo que há muito tempo não fazia, escrevi um texto no caderno, usando uma caneta, como as pessoas faziam um tempo atrás e iria iniciar a transcrição dele para este documento, mas dessa inquietação, nasceu esse texto aqui. Isso prova que precisamos mesmo falar e/ou ao menos escrever para validar, documentar e expor o que sentimos, principalmente para as pessoas que amamos e que nos amam, pois quanto menos falamos, mais difícil fica falar. Quando não fazemos esse movimento, as coisas que sentimos ficam sem um outro lugar no mundo além dos seus pensamentos (da consciência), o que fica sem lugar, não existe para mais ninguém além de você, do seu corpo, e ficam nele todas as palavras que você não diz.
Qual é o peso dessas palavras que você carrega sozinho?
Alguns podem dizer, melhor que ninguém saiba mesmo o que eu vivo, pode trazer azar, pode dar tudo errado, “o que eu ganho, o que eu perco, ninguém precisa saber”, só o artista sabe o que pensou quando compôs uma letra, mas quando ouço essa canção Lulu Santos, na minha percepção, esse ninguém aí, é “ninguém” para quem você não contaria sobre a sua vida, pessoas com quem você não tem intimidade ou liberdade para conversar abertamente. Nesse caso, podemos recorrer à outra música, de Antonio Marcos e Mário Marcos: “Como vai você? Eu preciso saber da sua vida…”. De quem você ouve isso? Para quem você diz isso?
Já dizia outro artista Hemingway: “Quem estará nas trincheiras ao teu lado? É isso que importa? Mais do que a própria guerra!”
Podemos pensar nessa guerra como uma metáfora para a vida. Quem você sente que está ao seu lado na vida quando as coisas vão mal?
E quando as coisas vão bem, quem comemora com você? Já se sentiu feliz e reparou em alguém do seu lado que se sentiu tão incomodado com sua alegria a ponto de não celebrar junto? E aí retornamos ao título, sem falar sobre a nossa vida, sobre as nossas relações, podemos nos tornar apenas: uma tela em branco.
Já parou para refletir sobre a qualidade das suas relações? Com as pessoas e com você mesmo?
E como nós fazemos isso, você pode estar se perguntando? Como podemos pensar na qualidade das nossas relações?
Mais uma vez, a resposta é: falando sobre elas, em um ambiente acolhedor, sem julgamentos e sigiloso da análise/psicoterapia, que trata das relações que temos na vida, com a família, com os amigos, os amores, o trabalho, com os lutos, entre tantas outras relações, e cuidando assim, do personagem central da sua existência: você.
Por hoje, é isso.
Até a próxima!